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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Intoxicação por Amitraz em Cães e Gatos

O amitraz é um antiparasitário do grupo das formamidinas, que é utilizado como acaricida e carrapaticida na Medicina Veterinária. O produto é relativamente barato e de fácil aquisição, o que torna seu uso bastante popular no Brasil. As apresentações comerciais devem ser diluídas adequadamente para a aplicação tópica, sendo sua absorção maior em peles inflamadas e lesadas, embora seja também absorvido em pele integra. Em cães é utilizado no tratamento de escabiose, demodicose e no controle de carrapatos, já nos gatos é utilizado no tratamento da escabiose e demodicose felina.



Embora seja considerado seguro, as intoxicações podem ocorrer principalmente se não forem seguidas as indicações de diluições adequadas, se não forem usados após o preparo ou após a ingestão de coleiras contendo o produto. Os animais idosos e mais jovens são mais sensíveis ao agente tóxico. 

Seu mecanismo de ação consiste na inibição da enzima monoaminoxidase (MAO)  e estimulação dos receptores α2 adrenérgicos, dessa forma o animal pode apresentar a seguinte sintomatologia: ataxia, depressão, hipotermia, perda de reflexos, bradicardia, midríase, hiperglicemia, hipomotilidade intestinal, entre outros. Pelo fato de causar hiperglicemia, não pode ser utilizado em animais diabéticos e por causar hipomotilidade intestinal não pode ser utilizado em equinos, uma vez que culmina em cólicas.
Diante de um caso de intoxicação por amitraz o animal deve ser levado ao consultório veterinário o mais rápido possível para receber o tratamento sintomático e de detoxificação, uma vez que não existe antídoto específico. 


Fonte: http://www.revistas.usp.br/bjvras/article/viewFile/26715/28498

SPINOSA, H.S.; GORNIAK S. L.; PALERMO-NETO, J. Toxicologia Aplicada à Medicina Veterinária. Barueri, SP: Manole, 2008.

domingo, 27 de setembro de 2015



O Perigo das Abelhas

Assim como nós humanos, os animais também sofrem com as picadas de insetos, entre eles abelhas, vespas e marimbondos. Geralmente, os acidentes envolvem reações leves, porém, animal pode apresentar uma maior sensibilidade ao veneno inoculado, promovendo uma reação de hipersensibilidade I, ou ainda alterações mais graves, que tendem a anafilaxia. A ocorrência do choque anafilático depende não só do animal, mas também do número de picadas e quantidade de veneno inoculado.

Os acidentes causados por múltiplas picadas de abelhas são normalmente graves e potencialmente fatais nos animais domésticos. O veneno destes insetos é composto por uma variedade de substâncias, as quais induzem reações tóxicas e alérgicas severas. O principal composto descrito é a melitina, um peptídeo que reúne características hemolítica, cardiotóxica e citotóxica. Além disso, age em sinergismo com a fosfolipase A2, a qual é considerada o antígeno mais alergênico, junto a fosfatase ácida. São encontrados também no veneno:

ØApaminas: Ação neurotóxica, levando a espasmos musculares e convulsões
Ø  Fator degranulador de mastócitos: Relacionado ao aparecimento de dor e eritema loca
Ø  Hialuronidase: Facilita a disseminação do veneno no organismo
Ø  Cininas: Permitem maior permeabilidade vascular e contração da musculatura lisa e esquelética.
Ø  Aminas ativas (Histamina, Noradrenalina, Dopamina), antígeno 5, etc.


As reações as picadas são muito variadas, de acordo com os fatores já citados. Alguns animais podem apresentar somente uma reação inflamatória local, enquanto outros exteriorizam sinais de hipotensão, fraqueza, mialgia, êmese, taquicardia, taquipneia, espasmos musculares, nistagmo e convulsões. Devido a cardiotoxicidade do veneno, alguns indivíduos chegam rapidamente a óbito. Os animais sensíveis podem apresentar sinais de anafilaxia, em no máximo 30 minutos pós- picada, podendo ser observado diurese, sialorreia, prurido e falência respiratória. Existem ainda aqueles que apresentam uma hipersensibilidade tipo III, em que a reação só se manifesta dias ou até semanas depois, o que se constitui como casos incomuns.

Diante de um caso de intoxicação por picada de abelha, o animal vitimado precisa ser levado de imediato ao consultório veterinário, onde irá receber todo o suporte e monitoração necessário, visto que não há um antídoto específico. Se o indivíduo demorar a receber o tratamento adequado, dependendo da quantidade de picada que recebeu, o quadro pode se agravar e as chances de sobrevivência, diminuir.


Fonte: RIBOLDI, E. O. Intoxicações em pequenos animais - Uma Revisão. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina Veterinária) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. 


SPINOSA, H.S.; GORNIAK S. L.; PALERMO-NETO, J. Toxicologia Aplicada à Medicina Veterinária. Barueri, SP: Manole, 2008.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Poema de Desespero Toxicológico

Acho que comi folha de Manona porque comecei a babar
Pode ter sido Salsa porque começou o tremor muscular
Não posso dizer nada ainda
Porque eu vi o Canudo com a sua swainsonina.
Não queria mais ficar aqui
Usei o Tingui
Tudo estava tão monótono
Começou o opistótono
Talvez diga que eu seja insensato
Posso ser mentiroso como o Pinóquio
Consumir Erva-de-Rato
Com monofluoroacetato de sódio.
Segui caminho naquele sol forte
Que incrível a minha sorte !
O Chumbinho me chamou a atenção
De repente a minha pele entrou em mumificação
Disseram, então, que a Braquiária não tinha problema
Desconfiei, mas ela era uma delícia
Que dilema !
Uma pena: acordei com icterícia.
Desconfio da minha sina
Pode ter sido a Mamona e a sua ricina
A Timbaúba também entra nessa questão
Explicaria a minha lassidão
Não deixem o Barbatimão escapar de mansinho
Houve sim um ressecamento de focinho.
Lembre daquelas que possuem o cianeto
Madioca, Maniçoba, Sorgo e Angico Preto
Todas elas causam paresia
Não podiam ficar de fora da poesia.
Chegando em casa, Comigo-Ninguém-Pode
Causou-me edema de glote
Fui para a Espirradeira,só que não sabia que ela tinha glicosídeo cardíaco
Esse azar todo só pode ser influência do zodíaco!
Pensei que estava tudo acabado, poderia descansar na área
Mas eu topei com a Crotalaria
Ela e a Senescio com esse alcalóide pirrolizidinico
Pondo minha vida em risco.
Tentei ficar de boa
Só com a Thiloa
Só aumentou o meu problema
Porque me gerou um edema.
Esse é o drama do estudante que se segue
O fantasma terrível da NEF
Aquela voz na cabeça sempre a falar
"Não dá mais tempo cara, não dá mais pra decorar !" 

Autoria: Samuel Monteiro, 2015.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Intoxicação por chumbinho: O que fazer?

Todos nós já ouvimos falar do "chumbinho" e sabemos o quão mal ele faz, tanto aos animais domésticos quanto para os seres humanos.
Mas, afinal, o que ele é para ser tão letal assim e como podemos proceder frente a uma intoxicação por esse produto?



O nome do princípio ativo que causa esse tipo de intoxicação é o aldicarb, mais popularmente conhecido como "chumbinho". Por seu alto grau de toxicidade, seu comércio é ilegal. Contudo, ele ainda é comercializado clandestinamente, causando os efeitos maléficos que serão citados mais adiante.
O aldicarb é da classe dos carbamatos. Os carbamatos são classificados como anticolinesterásicos, os quais possuem, como ação principal, o poder de inibir uma enzima. A inibição dessa enzima, chamada acetilcolinesterase, produz uma série de efeitos colaterais no organismo do indivíduo, que podem levar à morte. Dentre os principais sintomas, destacam-se: vômito, contração da pupila, salivação excessiva, tonturas, fraqueza generalizada, convulsões e, em casos mais graves, morte por parada cardiorrespiratória.

Portanto, em casos de ingestão, é de fundamental importância o atendimento rápido e eficiente, a fim de aumentar as chances de sobrevida. Por isso, leve imediatamente seu animal à clínica veterinária mais próxima para que o profissional possa realizar os devidos procedimentos. Porém, se não for possível, para minimizar os malefícios citados acima, é válido administrar carvão ativado, uma vez que ele pode minimizar  os efeitos colaterais observados nesse tipo de intoxicação. 
Por fim, para todos os efeitos, não deixe de levar seu animal para receber os cuidados necessários de um médico veterinário.

Fonte: SPINOSA, H.S.; GORNIAK S. L.; PALERMO-NETO, J. Toxicologia Aplicada à Medicina Veterinária. Barueri, SP: Manole, 2008.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Fitoterápicos: Se é Natural, não tem Perigo? 

O uso de produtos naturais para fins medicinais está sendo amplamente utilizado na medicina veterinária.  Os fitoterápicos podem ser utilizados de forma preventiva ou curativa e muitos fatores estão relacionados a escolha dessa “terapia alternativa”, tais como: cultura popular, condição econômica, resistência à terapias alopáticas, etc.

Porém, assim como as drogas convencionais, os fitoterápicos não devem ser utilizados em qualquer situação. Por se tratar de produtos naturais, muitas pessoas acreditam que estes não oferecem risco à saúde animal. Entretanto, assim como qualquer outro protocolo terapêutico, toda a situação clínica deve ser avaliada, antes da prescrição e administração da substância.

A Citronela (Cymbopogon nardus), por exemplo, é um fitoterápico de ampla utilização na veterinária, sendo usado como repelente para insetos. Apesar das vantagens, seu uso também pode provocar danos aos animais, especialmente por conter em sua fórmula geraniol e terpenos, princípios estes que podem levar a casos de dermatite por contato, diarreia e dispneia.


Outros exemplo é a famosa “erva – dos – gatos”, formada a partir de uma planta herbácea (Nepeta cataria), tem como princípio ativo a nepetalactona. Esse produto foi formado com o intuito de relaxar e divertir os felinos; contudo, pode promover o desenvolvimento de sinais neurotóxicos nos gatos, observando-se euforia, excitação e vocalização.


Apesar das comprovadas vantagens que esses produtos oferecem, é necessário sempre cautela em utilizá-los. O fato de ser natural não significa que possam ser administrados sem qualquer análise da condição clínica e epidemiológica do paciente.

Fonte: RIBOLDI, E. O. Intoxicações em pequenos animais - Uma Revisão. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina Veterinária) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Profilaxia na intoxicação por inseticidas em animais de zoológico

O controle de insetos no ambiente de um zoológico é fundamental para a prevenção de doenças infecciosas importantes para animais selvagens, assim como para o controle de algumas zoonoses. O uso de inseticidas com essa finalidade deve ser criterioso e cuidadoso. Os inseticidas de maneira geral são substâncias químicas com elevado potencial tóxico agudo, em especial os organofosforados e carbamatos. Além disso, a alta sensibilidade de algumas espécies para estes inseticidas deve ser conhecimento estratégico do médico veterinário responsável pela coleção. Deve-se evitar o uso de inseticidas anticolinesterásico, tanto organofosforados como carbamatos, em recintos de aves, pois estas são muito mais sensíveis que os mamíferos, répteis e anfíbios. Já que o uso de piretrinas e piretróides nos recintos de aves pode facilitar o controle de insetos indesejáveis com certa segurança para as mesmas. Esses mesmos inseticidas piretróides não são recomendados para recintos de répteis e anfíbios, pois estes são muito mais sensíveis a tal grupo de inseticidas. Mesmo respeitando características de diferentes grupos e espécies de animais, consultas a livros e manuais que identifiquem espécies sensíveis a este ou aquele determinado inseticida é medida preventiva fundamental para respeitar o plantel de cada zoológico. Alguns procedimentos podem ajudar a prevenir acidentes toxicológicos envolvendo inseticidas e animais selvagens em cativeiro, como, por exemplo, não utilizar inseticidas em todos os recintos ao mesmo tempo. Formulações mal conduzidas ou incorretas podem causar quadros tóxicos em toda a população ao mesmo tempo. Deve-se subdividir os recintos em áreas prioritárias, utilizando o inseticida previamente escolhido e avalie sua eficácia, desempenho e presença ou não de sinais toxicológicos nos animais; se optar por inseticidas anticolinesterásicos (organofosforados e carbamatos) nunca se deve começar pelas aves. Avaliar primeiro o resultado em mamíferos, que são muito mais resistentes; se a opção for por piretrinas e piretróides, nunca comece a desinsetização pelos répteis e anfíbios. Deve-se dar prioridade as aves; inseticidas mistos, piretróides com organofosforados ou carbamatos, visam aumentar o poder residual baixo do piretróide. Aplicar primeiro em recintos dos mamíferos, observando a presença ou não de sinais e sintomas de intoxicação; a aplicação deve ser feita em dias ou períodos mais secos, pois a água da chuva pode carrear inseticidas mais resistentes para lugares indesejáveis e de maior risco, como o interior dos recintos, fontes de água próxima aos animais ou até mesmo utensílios como comedouros e bebedouros; orientar, sempre de maneira preventiva, tratadores e ajudantes a ficarem atentos aos primeiros sinais e sintomas de intoxicação. Na maior parte das vezes esses profissionais são os primeiros a observarem animais intoxicados; e por último, tenha sempre à mão antídoto ou antagonistas que poderão ser utilizados nas intoxicações pelos inseticidas de escolha. Apesar de utilização completamente tanto em termos de volume aplicado como de formas de aplicação, os produtos inseticidas domissanitários, mais utilizados em recintos e áreas comuns de zoológicos, causam intoxicações semelhantes em sintomatologia e gravidade aos inseticidas agrícolas. Assim, tanto os sintomas como os tratamentos medicamentosos seguem a mesma linha terapêutica dos casos de intoxicação com inseticidas formulados para práticas agrícolas. No entanto os aspectos preventivos, que são bem diferentes nos dois casos, exigem do médico veterinário maior atenção no ambiente fechado dos recintos e parques.

Fonte: http://www.qualittas.com.br/uploads/documentos/Intoxicacao%20em%20Animais%20Selvagen%20-%20Simone%20Polichetti.PDF

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Intoxicação por uva em cães

Tem como resistir aos lindos e grandes olhos dos nossos pets quando querem pedir um pedaçinho do que estamos comendo? A resposta é:  muitas vezes não, porém temos que ter conhecimento de que alguns alimentos que são inofensivos para nós seres humanos são bastante tóxicos para nossos bichinhos.Um deles é a uva.

Não se sabe exatamente qual parte da uva é toxica, mas foi comprovado com trabalhos de pesquisa em cães nos Estados Unidos, que pertenciam a vinícolas e que os donos davam uvas como recompensa um índice alto de doença nos rins (insuficiência renal) e desde então se estabeleceu e comprovou-se que esta fruta é muito tóxica para cachorros.

Os sintomas após a ingestão de uva são vômitos, alteração de comportamento, diarreia e em casos mais sérios os rins podem começar a parar de funcionar onde o animal para de comer, de beber água e fica deprimido, com muita dor abdominal.

O diagnóstico da intoxicação depende muito da anamnese realizada , pois os sintomas se assemelham à outras enfermidades, por isso é super importante o proprietário relatar tudo o que ocorreu antes da apresentação dos sinais clínicos (até o fato de ter dado uva ao seu cão).O alerta para isso se da pelo fato de que muitos proprietários não relatam essa parte da história, por acharem que estar oferecendo frutas não irá causar nenhum dano ao animal e o veterinário pensa em outros enfermidades dificultando o diagnostico correto.

O tratamento nesse tipo de intoxicação é somente sintomático, uma vez que não existe nenhum medicamento específico. Sendo assim, é importante se ter conhecimento acerca dos alimentos que damos aos nosso pets para evitar futuros casos de intoxicações.





Fonte: http://petcare.com.br/blog/intoxicacao-em-caes-por-uva-e-uva-passa/